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Conheça os quatro subtipos de câncer de mama e as estratégias de tratamento para cada um deles.

No começo dos anos 2000 os cientistas, analisando o DNA de diversos tumores da mama, identificaram que o que nós classificávamos como câncer de mama não era uma doença única, com pequenas diferenças de pessoa para pessoa, mas sim 4 doenças diferentes. Foi identificado que esses quatro tipos de câncer de mama têm características moleculares, comportamento biológico e resposta a tratamentos diferentes.

Os cânceres de mama foram classificados como câncer de mama luminal (A e B), câncer de mama HER2 positivo e câncer de mama triplo negativo. Esses nomes foram dados de acordo com as características das células cancerosas.

Câncer de mama não é uma doença única, mas sim 4 doenças com características e comportamentos diferentes.
Câncer de mama não é uma doença única, mas sim 4 doenças com características e comportamentos diferentes.

Os cânceres luminais apresentam receptores de hormônios femininos, sendo bastante responsivos a tratamentos hormonais com medicamentos como o Tamoxifen, Anastrozol (nome comercial Arimidex), Letrozol (nome comercial Femara) entre outros. Estes são os cânceres de mama mais comuns. Eles são divididos entre luminal A, caso seja uma célula que cresça lentamente, e luminal B, caso seja uma célula que cresça mais rapidamente. A quimioterapia tem pouco efeito nesses tipos de câncer, mas funciona um pouco melhor nos cânceres luminais B.

O câncer de mama HER2 positivo apresenta o receptor HER2 na membrana celular. Este tipo de doença apresenta um crescimento mais acelerado e tinha uma resposta ao tratamento bastante ruim, antes do desenvolvimento dos medicamentos que bloqueassem o HER2. Depois do desenvolvimento do medicamento Trastuzumab (nome comercial Herceptin) o tratamento do câncer de mama HER2 positivo melhorou dramaticamente e hoje conseguimos boas taxas de cura e controle de doença quando usamos a quimioterapia em conjunto com o Trastuzumab. Hoje existem vários medicamentos que agem bloqueando o HER2, como o Lapatinib (nome comercial Tykerb), o Pertuzumab (nome comercial Perjeta) e o TDM1 (nome comercial Kadcyla).

O último subtipo de câncer de mama é conhecido como câncer de mama triplo negativo. Ele tem a característica de não apresentar receptores hormonais (de estrogênio e de progesterona) e não apresentar o HER2. Justamente por não apresentar estes 3 receptores, é chamado de triplo negativo. Como ele não apresenta receptores, as medicações descritas anteriormente não funcionam. O principal tratamento desta doença se faz com a quimioterapia. Hoje existem muitas pesquisas sendo feitas para desenvolver novos medicamentos para o câncer de mama triplo negativo, como os inibidores da PARP e os bloqueadores do receptor de androgênio. Estes medicamentos seguem em estudos e ainda não estão disponíveis no dia a dia.

É importante notar que o tratamento com cirurgia e radioterapia é o mesmo para todos os tipos de câncer de mama, o que muda são os tipos de medicamentos que podemos fazer.

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Everolimus duplica o tempo de controle do câncer de mama metastático com positividade para hormônios

Câncer de mama é uma doença bastante heterogênea, hoje nós já podemos diferenciar vários tipos de doenças de acordo com as características moleculares. Essa caracterização permitiu o desenvolvimento de vários medicamentos que agem especificamente para cada alteração molecular. Isso melhorou muito a individualização do tratamento para cada mulher, aumentando a chance de cura, o controle da doença e reduzindo os efeitos colaterais dos medicamentos.

Em aproximadamente 65% a 80% das mulheres que têm câncer de mama identifica-se a presença do receptor de estrogênio no tumor. Estes tumores são muito sensíveis aos hormônios femininos e crescem estimulados por eles. Já no século 19 os médicos, apesar de não conhecerem com muitos detalhes a biologia molecular, já faziam a retirada dos ovários de mulheres com câncer de mama metastático e observavam alguma melhora (câncer metastático quer dizer câncer espalhado para outras partes do corpo que não só de onde ele se originou).

Os avanços do tratamento do câncer de mama permitiram a individualização do tratamento, aumentando a chance de cura e o controle da doença.
Os avanços do tratamento do câncer de mama permitiram a individualização do tratamento, aumentando a chance de cura e o controle da doença.

Com o progresso da ciência, na década de 70, começamos a usar o primeiro medicamento que bloqueava os efeitos dos estrogênios na mama, conhecido como Tamoxifeno. Até hoje essa medicação está em uso sendo um dos melhores tratamentos disponíveis. Ela é tomada em comprimidos e possui um excelente efeito de combater o câncer de mama com poucos efeitos colaterais. De lá pra cá muitas outras medicações foram desenvolvidas e temos diversas opções de tratamento hormonal para o câncer de mama hormônio positivo.

Um problema do tratamento do câncer de mama hormônio positivo metastático é a resistência aos tratamentos. Após alguns meses ou anos de controle, a doença pode voltar a crescer, e neste caso pode-se tanto trocar o tratamento por outro bloqueador hormonal como pode-se usar a quimioterapia. A escolha depende de vários fatores, como os tratamentos anteriores, o local onde a doença apareceu e as preferências da mulher, entre outros.

Uma importante descoberta sobre a resistência aos tratamentos levou ao desenvolvimento do medicamento Everolimus (nome comercial Afinitor). Nas mulheres que apresentavam crescimento da doença durante o tratamento de bloqueio hormonal foi notada uma nova alteração molecular conhecida como “ativação da via do mTOR”. Isto fazia com que a hormonioterapia perdesse seu efeito. O Everolimus é um medicamento que bloqueia e anula a ação do mTOR, revertendo assim o resistência ao tratamento com bloqueadores hormonais. Um estudo foi feito combinando o Everolimus com o Exemestano (nome comercial Aromasin), em mulheres que apresentaram crescimento do câncer durante um outro tratamento hormonal. A combinação duplicou o tempo de controle da doença se comparada ao Exemestano sozinho (clique aqui para ver o estudo).

Apesar da combinação do Everolimus com o Exemestano ter mais efeitos colaterais que o Exemestano sozinho, esta é hoje uma boa opção de tratamento para mulheres com câncer de mama hormônio positivo metastático que apresentaram crescimento da doença durante um primeiro tratamento hormonal.

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Duplo bloqueio do HER2 faz desaparecer os tumores da mama em metade das mulheres com câncer de mama HER2 positivo – Trastuzumab, Pertuzumab e Lapatinibe.

Com o progresso da oncologia nós somos capazes de diferenciar subtipos de doenças que antes eram tratadas da mesma maneira, e assim desenvolver novos medicamentos mais específicos para cada caso. Um exemplo disso é o bloqueio da via do HER2 em câncer de mama.

Em mulheres que têm câncer de mama é identificada a amplificação de uma proteína chamadas HER2 (human epithelial growth factor receptor 2) em 20% dos casos. Esta alteração molecular era considerada um fator de agressividade da doença, e pior resultado de tratamentos, até o desenvolvimento de medicamentos que funcionassem especificamente neste alvo.

O duplo bloqueio do HER2 é capaz de fazer desaparecer o câncer de mama em 60% das mulheres, quando feito antes da cirurgia.
O duplo bloqueio do HER2 é capaz de fazer desaparecer o câncer de mama em 60% das mulheres, quando feito antes da cirurgia.

Em 1998 médicos e cientistas desenvolveram o anticorpo Trastuzumab (nome comercial Herceptin) que mudou radicalmente o tratamento destas mulheres. Este medicamento, administrado na veia, foi capaz de aumentar dramaticamente o controle da doença. Mais tarde, em 2005, foi demonstrado que esse remédio duplicava a taxa de cura quando era dado junto com a quimioterapia, após a retirada do tumor com cirurgia.

Nos últimos anos, dois outros anticorpos contra o mesmo alvo foram desenvolvidos, o Pertuzumab (nome comercial Perjeta) e o Trastuzumab-Emtansine, também conhecido como TDM1 (nome comercial Kadcyla). Outro medicamento atuando no mesmo alvo é o comprimido Lapatinibe (nome comercial Tykerb).

A segunda etapa de desenvolvimento destes medicamentos foi avaliar o resultado da combinação deles, o chamado duplo bloqueio, associado à quimioterapia convencional. Dois estudos foram feitos, o primeiro usando a combinação de Trastuzumab com Lapatinibe e quimioterapia (veja aqui o estudo) e um segundo estudo com Trastuzumab, Pertuzumab e quimioterapia (veja aqui este estudo). Estes remédios foram feitos antes da cirurgia, com o objetivo de reduzir o tumor da mama e facilitar a operação. Foi identificado que a combinação foi capaz de fazer desaparecer o tumor em metade das mulheres que fizeram esse tratamento, mostrando a grande efetividade desta combinação antes da cirurgia.

Mesmo que o tumor tenha desaparecido, a cirurgia continua sendo necessária. Estudos já foram feitos tentando evitar a cirurgia nestes casos, mas existe uma chance grande do tumor voltar caso ela não seja feita. De todo modo, as cirurgias feitas nos casos que o tumor desaparece são bem menores, só o local onde o tumor estava é retirado, assim os resultados estéticos são muito melhores.

Estas pacientes seguem sendo avaliadas nos estudos para verificar o resultado final do índice de cura de doença, que até agora vem sendo muito bom e promissor. Estes medicamentos já estão aprovados para uso antes da cirurgia em diversos países do mundo.

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#Nivolumab, #Pembrolizumab e #Ipilimumab – imunoterapias capazes de “dissolver” os tumores se mostram efetivas no tratamento de diversos tipos de cânceres.

No último congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2015 foram apresentados estudos em vários tipos de câncer com medicações estimuladoras do sistema imunológico. Exitem duas classes desses medicamentos, o inibidor de CTLA4, Ipilimumab (nome comercial Yervoy) ; e os inibidores de PD1, Nivolumab (nome comercial Opdivo), e Pembrolizumab (nome comercial Keytruda).

Durante a resposta imunológica normal, as células do sistema imunológico se ativam para combater o agente agressor, uma bactéria ou vírus por exemplo, se desligando após completada a tarefa. Essas medicações agem impedindo que as células se desliguem, com isso estimulando o sistema imune. Com essa ativação prolongada do sistema imunológico causada pelos medicamentos, as células têm tempo de “aprender” como combater os tumores. Os efeitos desses remédios são uma verdadeira revolução no tratamento do câncer.

Estudos apresentados no congresso evidenciaram que os medicamentos são efetivos em diversos tipos de câncer. Em particular em doenças em que não havia muitos tratamentos eficazes anteriormente, como no melanoma da pele. Até o ano de 2011 não havia muitas opções no tratamento dessa doença, hoje já temos esses três anticorpos (além de outras medicaçoes inibidoras de BRAF e MEK), tudo isso nos últimos quatro anos. A foto abaixo é de um paciente com melanoma, ela pode ser um pouco perturbadora pelo tamanho e gravidade da lesão ao diagnóstico. No entanto, é impressionante notar como a lesão desapareceu completamente após o tratamento com estimuladores do sistema imunológico. A princípio, na semana 10 parece que o câncer aumentou, mas na verdade esse era o efeito do sistema imunológico destruindo as células do tumor. Resultados como esse nunca foram vistos antes!

Diversas fases de tratamento de um melanoma de pele com uso de estimuladores da imunidade.
Diversas fases de tratamento de um melanoma de pele com uso de estimuladores da imunidade.

Hoje esses medicamentos já estão aprovados para uso na prática clínica em pessoas que tenham melanoma e para o tratamento do câncer de pulmão.

Ainda em fase mais precoce de estudo foi notado que esses medicamentos também podem ser eficazes em câncer de intestino com uma característica específica, conhecida como mismatch repair. Outros estudos avaliaram sua eficácia em câncer de mama triplo negativo e HER2 positivo. Os tumores cerebrais e tumores do rim são doenças em que também têm se mostrado efetivos, assim como em cânceres hematológicos, como linfomas. Nós estamos apenas começando a entender as possibilidades de tratamento com essa nova classe de medicamentos, que vai revolucionar a maneira como o câncer é tratado no futuro próximo.

Linfócitos, as células de defesa do corpo humano (em azul), atacam uma célula do câncer (em amarelo).
Linfócitos, as células de defesa do corpo humano (em azul), atacam uma célula do câncer (em amarelo).

E provável que a combinaçao desses medicamentos com outros que causem a morte do tumor, como a quimioterapia tradicional ou a radioterapia, exponham partes internas do tumor ao sistema imunológico e assim o ajudem a “treinar” como combater o câncer. A estimulação do sistema imunológico abre uma nova avenida de possibilidades de tratamentos do câncer.

Esta talvez seja a maior descoberta de medicamentos dos últimos 20 anos. Há muito ainda a se explorar e as possibilidades são diversas. É importante manter a parceria entre as indústrias farmacêuticas, médicos, pacientes e governos para acelerar a velocidade do seu desenvolvimento e sua incorporação nos sistemas de saúde e no tratamento diário das pessoas com câncer.

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Aprovado novo medicamento para câncer de mama que duplica o tempo de controle da doença – Palbociclib e a sua nova classe de medicamentos. #cancer #palbociclib #cancerdemama

Um novo medicamento acaba de receber aprovação para o uso na prática clínica nos Estados Unidos. Palbociclib é um medicamento que age por mecanismo de ação totalmente novo, e promete revolucionar o tratamento do câncer de mama que apresenta receptores hormonais.

Em torno de 65% dos cânceres de mama apresentam receptores para hormônios femininos, ou seja, eles crescem estimulados pelos próprios hormônios normais das mulheres. Um dos tratamentos mais efetivos usados atualmente é bloquear a fabricação desses hormônios (alguns exemplos destes medicamentos são o Anastrozol, o Letrozol e o Exemestano).

Palbociclib
Palbociclib é uma nova opção de tratamento para mulheres com câncer de mama.

Pesquisadores descobriram que nesse tipo de câncer existe uma alteração importante da regulação da multiplicação celular, o que faz as células do câncer crescerem e se multiplicarem mais rapidamente. Em laboratório, cientistas identificaram que para que a proliferação das células do câncer ocorresse era necessária a regulação da multiplicação das células pelas CDK (Cyclin Dependente Kinase), que são um tipo de proteína normal do corpo. Sem o funcionamento da CDK do tipo 4/6 a célula do câncer interrompia a multiplicação e acabava morrendo.

Os médicos, em conjunto com cientistas de laboratório, desenvolveram então um medicamento que agia inibindo a ação da CDK4/6, o Palbociclib (veja aqui mais informações sobre o medicamento, em inglês). Num estudo com pacientes, o uso de Palbociclib duplicou o tempo de controle do câncer de mama quando tomado em conjunto com Letrozol. Em mulheres que apresentaram recidiva de câncer de mama com receptores hormonais, a combinação dessas duas medicações conseguiu controlar a doença por quase dois anos, um resultado considerado excelente em comparação com as medicações anteriormente utilizadas nesses casos. Vale lembrar que mesmo depois que estes remédios parem de fazer efeito existem muitas outras opções de tratamento capazes de prolongar o controle desta doença por muitos anos. Outra grande vantagem dessa classe de remédios é seu baixo perfil de efeitos colaterais, que não é tão difícil de tolerar quanto o da quimioterapia, e o fato de serem administrados em comprimidos.

Existem hoje mais dois medicamentos da mesma classe sendo desenvolvidos e provavelmente serão úteis não só em câncer de mama como em outras doenças também.

O tratamento do câncer de mama evoluiu muito nos últimos anos, o índice de cura aumentou incrivelmente com as novas técnicas cirúrgicas, a radioterapia e os novos medicamentos. Com o progresso da medicina, pacientes que antes tinham poucas opções de tratamento hoje conseguem viver muitos anos com qualidade de vida. Mesmo nas mulheres que têm doença metastática e não podem ser curadas, muitas novas opções de tratamento estão disponíveis. O Palbociclib é mais um medicamento que vem somar no tratamento e controle do câncer.

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Exercícios Físicos e Câncer. É recomendado se exercitar durante e depois do tratamento?

Quando pensamos no tratamento do câncer as primeiras coisas que vêm a cabeça são as intervenções médicas como cirurgia, radioterapia e quimioterapia. O início de um tratamento é um momento que vem acompanhado de muitas dúvidas, tanto quanto aos resultados dele como quanto à qualidade de vida que se vai ter durante e depois de terminado.

Uma dúvida comum nesta fase é quanto ao papel dos exercícios físicos. É seguro fazer exercícios? Aumentam ou diminuem a chance de cura? Se eu fizer exercício vai me dar mais cansaço durante o tratamento?

Fazer exercícios durante o tratamento com quimioterapia melhora os sintomas de cansaço.
Fazer exercícios durante o tratamento com quimioterapia melhora os sintomas de cansaço.

Existe um grande número de estudos que foram feitos, tanto durante o tratamento quanto depois do tratamento, que respondem a todas essas perguntas.

Uma grande revisão de avaliou os resultados de exercício na qualidade de vida de quase 5000 pessoas durante o tratamento com quimioterapia. (veja aqui o estudo). Pessoas que se exercitaram durante o tratamento apresentaram uma melhor qualidade de vida, menos cansaço, menos ansiedade e depressão e menos problemas com o sono. Esses resultados foram conseguidos com vários tipos diferentes de exercícios indo de caminhada, bicicleta, treinos em academia, até levantamento de peso e yoga.

Vários tipos diferentes de exercícios podem ser feitos durante o tratamento com quimioterapia.
Vários tipos diferentes de exercícios podem ser feitos durante o tratamento com quimioterapia.

Vários outros estudos avaliaram o papel dos exercícios no resultado do tratamento. A maior parte desses estudos avaliaram mulheres em tratamento para câncer de mama. Nesse grupo de pessoas houve uma tendência a melhores resultados em mulheres que fizeram exercícios físicos (veja aqui o estudo). Porém temos que ter cuidado para dizer que exercícios isoladamente aumentam a chance de cura de câncer de mama. Nós sabemos que há influência do peso no risco do retorno da doença, logo, neste caso, o exercício físico combinado com a perda de peso pode ser a causa dos melhores resultados (veja aqui um estudo sobre obesidade e câncer de mama).

A manutenção de um peso e dieta saudáveis também foi identificada como fator protetor, diminuindo a chance de retorno da doença em pessoas que tenham tido câncer de próstata e câncer de intestino.

Atividades físicas aliadas a dieta balanceada e controle do peso são aliados no controle do câncer.
Atividades físicas aliadas a dieta balanceada e controle do peso são aliados no controle do câncer.

Em conclusão, para pessoas que estão em tratamento para câncer, e se sintam bem dispostas para fazer exercícios, exercitem-se! Façam o exercício que mais gostem, todos eles vão melhorar a tolerância ao tratamento.

Para pessoas que não fazem exercícios, não há problemas em começar durante o tratamento.

Mas atenção, apenas para pessoas que estão bem dispostas! Caso sinta cansaço com o tratamento o melhor é o repouso até que volte a energia para as atividades físicas.

Depois de terminado o tratamento, a dieta saudável, o controle de peso e as atividades físicas regulares são importantes aliados na diminuição do risco de retorno da doença.

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Câncer e gestação. É possível engravidar depois de um tratamento oncológico?

Câncer é uma doença que afeta principalmente pessoas mais velhas, porém não é exclusiva dessa faixa etária. Existem doenças que também afetam pessoas mais jovens, em idade fértil. Uma dúvida comum em mulheres jovens que são diagnosticadas com câncer é: “Será que eu vou conseguir engravidar depois do meu tratamento?”. Para responder essa pergunta é preciso saber qual o tipo do tratamento e a partir daí traçar um plano para preservar a fertilidade.

Câncer e gestação. Há diversas estratégias para preservar a fertilidade de mulheres jovens tratadas para câncer.
Câncer e gestação. Há diversas estratégias para preservar a fertilidade de mulheres jovens após um tratamento oncológico.

Tanto a cirurgia quanto a radioterapia e a quimioterapia são capazes de reduzir a fertilidade. Os ovários são muito sensíveis à quimioterapia. Dependendo do tipo e da dose dos medicamentos, os óvulos podem ser afetados, e assim a mulher pode entrar na menopausa precocemente. Esta é uma preocupação no tratamento de doenças como os linfomas, câncer de ovário e câncer de mama, por exemplo. Em outras doenças, como o câncer de colo uterino ou câncer de reto, pode ser necessário o uso da radioterapia da pelve. A radiação, quando atinge os ovários, pode também levar à morte os óvulos e induzir a menopausa precoce. Em cânceres do aparelho reprodutor, pode ser necessária a retirada cirúrgica do tumor em conjunto com os ovários ou o útero.

Então, o que deve ser feito para preservar a fertilidade e aumentar a chance de engravidar depois de um tratamento para câncer?

Existem algumas estratégias que podem ser usadas, mas a primeira coisa a ser feita é conversar sobre o assunto antes que qualquer tratamento seja feito.

Em casos muito selecionados de câncer de ovário pode ser pensada uma cirurgia parcial com o intuito de preservar a fertilidade. Mas isto não é a regra, em geral nesses casos não há como se preservar os órgãos reprodutores.

Quando se precisa usar radioterapia é possível fazer uma espécie de escudo de chumbo que é colocado sobre a pele no local correspondente ao útero e ovários. Dessa maneira, os raios não atingem diretamente os óvulos. Uma segunda possibilidade é realizar uma pequena cirurgia para o reposicionamento dos ovários fora da área que vai receber a radioterapia. No entanto, em casos de câncer de colo uterino, onde é absolutamente necessária a irradiação, pode haver uma maior dificuldade de engravidar, assim como problemas durante a gestação, como parto prematuro e abortamento.

No caso da quimioterapia, duas estratégias podem ser feitas. A mais eficaz é a coleta e congelação de óvulos ou embriões antes do tratamento. Nesse caso, o tratamento com quimioterapia é adiado em torno de duas semanas e é induzida a ovulação com medicamentos. Os óvulos são então colhidos cirurgicamente e podem ser fecundados e congelados (nesse caso, chamam-se embriões), ou podem ser congelados sem serem fecundados. No futuro, quando o tratamento do câncer termina, a mulher deve fazer o tratamento habitual para engravidar desses embriões previamente colhidos.

Uma segunda estratégia é usar medicamentos que param o ciclo ovariano temporariamente. A ideia por trás disso é tentar fazer com que os ovários “durmam” durante o tratamento com quimioterapia, não sendo assim tão afetados. No entanto, esse não é um tratamento tão eficaz quanto a coleta de óvulos. Quanto mais jovem a mulher, menor o risco de entrar na menopausa depois da quimioterapia; da mesma maneira, quanto mais leve o tratamento, menos chance tem de induzir a menopausa.

E depois de engravidar, o risco da criança nascer com algum problema é maior?

Não! Isto já foi extensamente pesquisado e tratamentos prévios com radio e quimioterapia, tanto do pai quanto da mãe, não aumentam o risco da criança nascer com problemas. Quimioterapia também não aumenta o risco de aborto ou parto prematuro.

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