Arquivo da tag: melanoma

Melanoma e a inibição do BRAF e MEK – Três novos medicamentos que aumentam o controle desta doença: Vemurafenib, Dabrafenib e Trametinib.

Melanoma é o tipo de câncer da célula que produz o pigmento escuro da pele, o melanócito. Este é o tipo de câncer de pele mais perigoso, pondendo espalhar-se para outras partes do corpo, se não for detectado precocemente.

A principal medida para evitar o aparecimento do melanoma da pele é se proteger dos raios solares. Veja aqui uma matéria sobre os efeitos deletérios do Sol na pele.

Melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele.
Melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele.

Quando o melanoma é descoberto em fases precoces, o tratamento é feito com cirurgia com o objetivo da retirada completa do melanoma. Este é o único tratamento capaz de curar esta doença. Quando o melanoma se apresenta em fase mais avançada não existe, ainda, nenhum tratamento capaz de curá-lo, o objetivo nestes casos é o uso de medicamentos que reduzam o tamanho da doença e a mantenham em controle pelo maior tempo possível.

Até recentemente não havia nenhum tratamento eficaz na redução destes tumores. A partir de 2011 vários medicamentos foram desenvolvidos e, hoje, dispomos de varias estratégias para o controle dessa doença. As duas principais classes de medicamentos são os moduladores da imunidade (veja aqui uma matéria sobre eles) e os inibidores da cascata de fosforilação do BRAF.

O BRAF é uma proteína normal do corpo, ela faz parte de uma máquina celular complexa que diz para a célula quando ela deve crescer e multiplicar, ou não, uma espécie de “botão liga e desliga” do crescimento celular. Em torno de 50% dos melanomas apresentam uma um mutação do BRAF, conhecida como V600E ou V600K, que faz com que a célula tenha um estímulo constante para o crescimento, como se o “botão liga e desliga” ficasse constantemente ligado.

Os inibidores de BRAF e MEK agem justamente causado o desligamento dessa proteína, quando ela se encontra mutada, funcionando apenas quando esta mutação está presente. Em 2011 o primeiro medicamento da classe foi aprovado, o Vemurafenib (nome comercial Zelboraf). Hoje outros dois medicamentos estão disponíveis, o Dabrafenib (nome comercial Tafinlar) e o inibidor do MEK trametinib (nome comercial Mekinist). Estas medicações foram as primeiras da história capazes de aumentar o tempo de controle do melanoma, prolongando a vida das pessoas que têm um melanoma que não pode ser curado.

Antes de 2011 não haviam medicamentos eficazes no tratamento do melanoma, hoje já temos essas três medicações e mais três moduladores da imunidade, somando 6 medicamentos eficazes no tratamento dessa doença.

Gostou da matéria? Visite aqui nossa página no Facebook. Não esqueça de curtir a página para saber de todas as atualizações do blog! Compartilhe essa informação com alguém que possa estar precisando dela!

Bronzeamento artificial, bronzeamento ao Sol e o risco de câncer de pele.

Os melanócitos são as células responsáveis pela produção do pigmento escuro da pele, conhecido como melanina. Quando a radiação ultravioleta do Sol atinge a pele, os melanócitos são estimulados a produzir mais melanina, causando assim ao bronzeamento. Em última análise o bronzeamento é uma reação da pele à agressão pelos raios ultravioletas.

A exposição repetida à radiação ultravioleta causa o envelhecimento precoce da pele. É comum notar-se, em pessoas mais velhas, a diferença da pele de áreas expostas continuamente ao sol, como mãos e face, com áreas não expostas, como a pele do abdome. Há muito menos nevos (as pintas escuras da pele) em áreas protegidas do sol que em áreas expostas. Nota-se também maior surgimento de rugas e mudança da textura da pele em pessoas que tiveram exposição crônica ao Sol.

Esta imagem foi fotografada, à esquerda, com uma câmera normal e, à direita, com uma câmera UV. Nota-se diversas lesões da pele pela câmera UV, que não são visualizadas pela câmera normal. Como o protetor solar bloqueia os raios UV ele aparece escuro na fotografia UV.
Esta imagem foi fotografada, à esquerda, com uma câmera normal e, à direita, com uma câmara UV. Nota-se diversas lesões da pele pela câmera UV, que não são visualizadas pela câmera normal. Como o protetor solar bloqueia os raios UV ele aparece escuro na fotografia UV.

O risco de queimadura e dano à pele é proporcional à intensidade dos raios ultravioletas, ao tempo de exposição e ao tipo da pele. Quanto mais intensa a exposição, maior é o risco de queimaduras solares e danos ao DNA das células da pele.

Os tipos de pele são classificados em 6 níveis, quanto maior a classificação, maior a resistência da pele aos raios ultravioletas. Esta classificação é conhecida como fototipo e graduada de acordo com a escala de Fitzpatrick. (veja a tabela abaixo)

Tipo da pele Cor da pele Reação ao Sol
1 Branca Sempre queima e não bronzeia
2 Branca Sempre queima e bronzeia pouco
3 Branca a morena Queima pouco e bronzeia gradualmente
4 Morena clara Queima pouco e bronzeia
5 Morena escura Queima raramente e bronzeia muito
6 Negra Nunca queima e bronzeia muito
Lesões da pele em uma mulher jovem com fototipo 1.
Lesões da pele em uma mulher jovem com fototipo 1.

O maior perigo dos danos ao DNA das células da pele, no entanto, é o aparecimento de diversos tipos de câncer de pele, como carcinomas basocelulares, espinocelulares e melanoma, o câncer de pele mais agressivo.

Por isso os médicos recomendam evitar a exposição solar no período de 10h da manhã às 16h, onde há grande intensidade de raios ultravioletas, em particular UVB, a mais nociva para a pele.

E quanto às câmaras de bronzeamento artificial, são seguras?

As câmaras de bronzeamento artificial funcionam expondo os usuários à radiação ultravioleta (UVA e UVB), semelhante à radiação solar. Elas são programadas para liberar uma grande quantidade de radiação ultravioleta em um pequeno período de tempo. Seus danos à pele são tão intensos quanto os danos da radiação solar. Dependendo da intensidade das lâmpadas usadas, a exposição a radiação ultravioleta pode ser até maior que a da radiação do Sol.

camera-uv3
Protetores solares bloqueiam os raios ultravioletas.

Exposição a raios ultravioletas, sejam eles do Sol ou das câmaras de bronzeamento artificial, aumenta a risco de desenvolvimento de todos os tipos de câncer de pele.

Diversos estudos avaliaram a relação entre câncer de pele e o hábito de se bronzear em câmaras de bronzeamento artificial. Uma análise combinada de diversos estudos conduzidos nos Estados Unidos, Austrália e Europa mostrou uma forte associação entre bronzeamento artificial e o desenvolvimento de melanoma. Um segundo estudo avaliou se o risco de desenvolvimento de câncer de pele seria menor com o uso de câmaras de bronzeamento mais modernas e constatou que não há diferença. As câmaras modernas emitem altas doses de radiação ultravioleta sendo também arriscadas. Foi estimado que nos Estados Unidos, Austrália e Europa ocorram 400.000 novos casos de câncer de pele por ano relacionado ao uso de câmaras de bronzeamento, sendo 10.000 deles melanomas, o tipo mais perigoso de câncer de pele.

Na nossa sociedade a pele bronzeada é associada à saúde e jovialidade. Em outras sociedades, como em países asiáticos, o padrão de beleza é o oposto, quanto mais branca a pele, melhor.
Na nossa sociedade a pele bronzeada é associada à saúde e jovialidade. Em outras sociedades, como em países asiáticos, o padrão de beleza é o oposto, quanto mais branca a pele, melhor.

É importante notar que qualquer tipo de bronzeamento é, biologicamente, uma reação da pele à agressão pelos raios ultravioletas. Se você quer se bronzear, não existe uma recomendação médica formal quanto a como fazer isso. No entanto existe uma recomendação médica quanto a como se proteger do excesso de raios ultravioletas.

  1. Evite se expor ao Sol no horário de maior incidência de raios ultravioletas (10h as 16h).
  2. Não faça bronzeamento artificial.
  3. Use protetor solar compatível com seu tipo de pele e reaplique em intervalos regulares e após entrar na água.
  4. Para crianças pequenas, em particular menores de 5 anos, use roupas que protejam do Sol e protetor solar em áreas expostas.

Gostou da matéria? Visite aqui nossa página no Facebook. Não esqueça de curtir a página para saber de todas as atualizações do blog! Compartilhe essa informação com alguém que possa estar precisando dela!

#Nivolumab, #Pembrolizumab e #Ipilimumab – imunoterapias capazes de “dissolver” os tumores se mostram efetivas no tratamento de diversos tipos de cânceres.

No último congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2015 foram apresentados estudos em vários tipos de câncer com medicações estimuladoras do sistema imunológico. Exitem duas classes desses medicamentos, o inibidor de CTLA4, Ipilimumab (nome comercial Yervoy) ; e os inibidores de PD1, Nivolumab (nome comercial Opdivo), e Pembrolizumab (nome comercial Keytruda).

Durante a resposta imunológica normal, as células do sistema imunológico se ativam para combater o agente agressor, uma bactéria ou vírus por exemplo, se desligando após completada a tarefa. Essas medicações agem impedindo que as células se desliguem, com isso estimulando o sistema imune. Com essa ativação prolongada do sistema imunológico causada pelos medicamentos, as células têm tempo de “aprender” como combater os tumores. Os efeitos desses remédios são uma verdadeira revolução no tratamento do câncer.

Estudos apresentados no congresso evidenciaram que os medicamentos são efetivos em diversos tipos de câncer. Em particular em doenças em que não havia muitos tratamentos eficazes anteriormente, como no melanoma da pele. Até o ano de 2011 não havia muitas opções no tratamento dessa doença, hoje já temos esses três anticorpos (além de outras medicaçoes inibidoras de BRAF e MEK), tudo isso nos últimos quatro anos. A foto abaixo é de um paciente com melanoma, ela pode ser um pouco perturbadora pelo tamanho e gravidade da lesão ao diagnóstico. No entanto, é impressionante notar como a lesão desapareceu completamente após o tratamento com estimuladores do sistema imunológico. A princípio, na semana 10 parece que o câncer aumentou, mas na verdade esse era o efeito do sistema imunológico destruindo as células do tumor. Resultados como esse nunca foram vistos antes!

Diversas fases de tratamento de um melanoma de pele com uso de estimuladores da imunidade.
Diversas fases de tratamento de um melanoma de pele com uso de estimuladores da imunidade.

Hoje esses medicamentos já estão aprovados para uso na prática clínica em pessoas que tenham melanoma e para o tratamento do câncer de pulmão.

Ainda em fase mais precoce de estudo foi notado que esses medicamentos também podem ser eficazes em câncer de intestino com uma característica específica, conhecida como mismatch repair. Outros estudos avaliaram sua eficácia em câncer de mama triplo negativo e HER2 positivo. Os tumores cerebrais e tumores do rim são doenças em que também têm se mostrado efetivos, assim como em cânceres hematológicos, como linfomas. Nós estamos apenas começando a entender as possibilidades de tratamento com essa nova classe de medicamentos, que vai revolucionar a maneira como o câncer é tratado no futuro próximo.

Linfócitos, as células de defesa do corpo humano (em azul), atacam uma célula do câncer (em amarelo).
Linfócitos, as células de defesa do corpo humano (em azul), atacam uma célula do câncer (em amarelo).

E provável que a combinaçao desses medicamentos com outros que causem a morte do tumor, como a quimioterapia tradicional ou a radioterapia, exponham partes internas do tumor ao sistema imunológico e assim o ajudem a “treinar” como combater o câncer. A estimulação do sistema imunológico abre uma nova avenida de possibilidades de tratamentos do câncer.

Esta talvez seja a maior descoberta de medicamentos dos últimos 20 anos. Há muito ainda a se explorar e as possibilidades são diversas. É importante manter a parceria entre as indústrias farmacêuticas, médicos, pacientes e governos para acelerar a velocidade do seu desenvolvimento e sua incorporação nos sistemas de saúde e no tratamento diário das pessoas com câncer.

Gostou da matéria? Visite aqui nossa página no Facebook. Não esqueça de curtir a página para saber de todas as atualizações do blog!

Novos medicamentos estimuladores do sistema imunológico aumentam a sobrevida e cura de pessoas com câncer de pulmão e melanoma – #Nivolumab e #Pembrolizumab.

Para que um câncer possa se desenvolver ele precisa adquirir algumas características. Em um estudo famoso, o o biólogo e pesquisador, Douglas Hanahan e seus colegas revisitaram os estudos na área da oncologia e descreveram seis dessas características (clique aqui para ver uma matéria sobre essas características). Isto foi importante porque hoje a ciência pode estudar e compreender melhor esses mecanismos, assim como desenvolver tratamentos para cada um deles.

Uma das características mais importantes do câncer é sua capacidade de escapar do sistema imunológico. Apesar de a célula cancerosa ser doente, ela ainda guarda semelhanças com as células normais do corpo e usa essa característica como uma espécie de disfarce para enganar o sistema imunológico – e assim não ser atacada por ele. Duas novas classes de medicamentos prometem acabar com esse disfarce e aumentar a capacidade do sistema imunológico de combater o câncer, são os inibidores de CTLA4 (Ipilimumab, nome comercial Yervoy) e os inibidores de PD1 (Pembrolizumab e Nivolumab, nomes comerciais Keytruda e Opdivo respectivamente).

Na resposta imunológica normal, as células de defesa se ativam enquanto atacam as bactérias ou vírus, e depois se desligam quando a infecção está controlada. Esses três medicamentos agem impedindo que a célula de defesa se desligue, mantendo assim um ataque constante. Acredita-se que esse efeito faz com que o sistema imunológico reconheça o câncer e se organize para combatê-lo.

Nesta imagem de microscópio uma célula de defesa (abaixo) ataca uma célula cancerosa (acima).
Nesta imagem de microscópio uma célula de defesa (abaixo) ataca uma célula cancerosa (acima).

Os estudos foram feitos com pessoas que teriam poucas opções de tratamento com quimioterapia, como no câncer de pulmão avançado, em que já houve falha a tratamentos anteriores; e no melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele que sabidamente responde mal ao tratamento com quimioterapia.

Em pessoas com câncer de pulmão do tipo escamoso, Nivolumab foi muito superior ao tratamento convencional com quimioterapia além de ter uma tolerabilidade maior. Isso significa que estimular o sistema imunológico aumenta o controle nesse tipo de câncer de pulmão e causa menos efeitos colaterais. Pembrolizumab, um medicamento da mesma classe, foi usado em pessoas com câncer de pulmão avançado e também mostrou aumento do controle da doença e redução dos tumores.

Até 2011 não havia boas opções de tratamento para pessoas com melanoma. De lá para cá, diversos medicamentos foram desenvolvidos, sendo alguns dos mais importantes os estimuladores do sistema imunológico. Ipilimumab foi o primeiro medicamento dessa classe que se mostrou eficaz em aumentar o tempo de controle de doença em pessoas com melanoma metastático (quando a doença está espalhada pelo corpo). Um estudo recente sugere que ele possa também aumentar a chance de cura quando administradodepois da retirada cirúrgica desse câncer – este estudo ainda está em andamento. O problema desse remédio é seu perfil de toxicidade, pois como o sistema imunológico fica muito ativado pode haver fenômenos de autoimunidade, quando o próprio sistema imune ataca partes normais do corpo.

A classe de medicamentos anti PD1 parece não só ser mais eficaz no controle do melanoma que o Ipilimumab como também ter um melhor perfil de efeitos colaterais. Em estudos iniciais a combinação de Nivolumab com Ipilimumab se mostrou muito superior ao Ipilimumab administrado sozinho. Pembrolizumab foi comparado a Ipilimumab e também se mostrou superior no controle da doença em pessoas com melanoma metastático, assim como tendo efeitos colaterais mais fáceis de ser tolerados.

Os três medicamentos receberam aprovação nos Estados Unidos para o tratamento do câncer de pulmão e melanoma (eu sempre coloco os dados dos Estados Unidos porque os medicamentos são aprovados antes lá). Outros estudos sugerem que esses medicamentos possam ser úteis em diversas outras doenças, como o câncer de mama triplo negativo, câncer de mama HER2 positivo e tumores do sistema nervoso central.

A primeira aprovação de um medicamento estimulador do sistema imunológico aconteceu em 2011, com o Ipilimumab. Nos últimos quatro anos outras duas medicações foram aprovadas. Este é um campo promissor de medicamentos, que estamos apenas começando a entender. Esperamos que muitas outras descobertas de medicamentos aconteçam nessa área.

Gostou da matéria? Visite aqui nossa página no Facebook e confira todos os posts. Não esqueça de curtir a página para saber de todas as atualizações do blog!

Novas armas no tratamento do câncer. Confira os 7 novos medicamentos aprovados em 2014.

A partir do início dos anos 2000, a oncologia entrou numa nova fase de desenvolvimento de medicamentos. Com o aprimoramento do conhecimento da biologia molecular humana e dos tumores, foi possível identificar diversos alvos para o desenvolvimento de novos tratamentos.

Todos os anos chegam ao mercado diversos novos medicamentos, somando aos esforços de tratamento de câncer já existentes. O ano de 2014 foi particularmente produtivo, com várias novas aprovações e com a identificação de novas indicações para medicamentos “antigos”.

Novas aprovações de medicamentos contra o câncer.
Novas aprovações de medicamentos contra o câncer.

Confira abaixo a lista dos novos medicamentos que foram aprovados para uso na prática clínica no último ano.

Ramucirumab (Cyramza)

Este é um anticorpo direcionado contra o fator de crescimento vascular. Interferindo na formação de novos vasos sanguíneos menos nutrientes, chegam ao tumor, reduzindo assim seu crescimento. Outro mecanismo de ação proposto é a correção das anormalidades dos vasos sanguíneos dentro dos tumores, o que levaria a uma maior distribuição de medicamentos dentro do câncer.

O Ramucirumab foi aprovado em combinação com a quimioterapia no tratamento do câncer de estômago, esôfago e pulmão. A maior parte das indicações é em segunda linha, ou seja, caso haja falha do tratamento inicial.

Olaparib (Lynparza)

Em torno de 15% dos cânceres de ovário apresentam a mutação do gene BRCA. Essa mutação causa uma alteração na correção de erros no DNA. O Olaparib interfere nessa correção, causando assim ainda mais falhas no DNA do tumor. Essas múltiplas falhas tornam-se impossíveis de serem corrigidas, levando à morte a célula tumoral (veja aqui um post detalhado sobre este medicamento).

Nos pacientes com mutação do BRCA, o uso oral do Olaparib foi capaz de aumentar o controle da doença, mesmo após múltiplas linhas de tratamento, isto é, mesmo quando já houve falha a pelo menos outros 3 medicamentos.

Ceritinib (Zykadia)

Uma pequena fração das pessoas que tem câncer de pulmão apresenta a ativação do gene ALK. Estudos estimam que em torno de 4 a 13% dos cânceres de pulmão sejam relacionados a esta alteração, em geral mais frequente em não fumantes.

A inibição desse gene com o medicamento Crizotinib mostrou-se bastante eficaz no tratamento de pacientes que apresentam essa mutação. O Ceritinib é uma medicação aprovada em segunda linha, ou seja, como resgate caso o Crizotinib pare de funcionar ou caso haja intolerância ao mesmo.

Trametinib (Mekinist)

Melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele. Em torno de 50% dos melanomas apresentam a mutação do gene BRAF. Essa mutação é um importante estímulo na transformação das pintas normais da pele em câncer de pele, além de ser um estímulo maior na agressividade do melanoma.

O Trametinib é uma medicação capaz de reverter esse estímulo e foi aprovado para uso isoladamente ou em combinação com inibidores do BRAF em pessoas que apresentem melanoma metastático.

Pembrolizumab (Keytruda)

Um dos maiores avanços na oncologia está sendo o desenvolvimento de medicamentos que aumentem a eficácia do sistema imunológico. O Pembrolizumab é um anticorpo que age ativando o sistema imunológico e este, por sua vez, ataca o câncer (veja aqui um post sobre essa classe de medicamentos).

Esse medicamento foi aprovado para pacientes com melanoma e atualmente está em estudo em muitas outras doenças. Este é um dos campos mais promissores da oncologia e em breve essa medicação, como outras da mesma classe, estará disponível para o tratamento de diversos tipos de cânceres.

Cabozantinib (Cometriq)

O carcinoma medular é um tipo raro de tumor da tireoide. O principal tratamento para esse tipo de doença é a retirada completa da tireoide. Quando esse tratamento não é possível, ou caso o tumor retorne, é necessário fazer o tratamento sistêmico, com medicações.

O Cabozantinib é um comprimido administrado por via oral, inibindo múltiplas vias de sinalização, ou seja, impede que o tumor receba sinais externos para o crescimento.

Netupitant/Palonosetron (Akynzeo)

Um dos principais efeitos colaterais da quimioterapia é o enjoo após o tratamento, o que, no passado, exigia que os tratamentos fossem interrompidos.

Esta combinação desses dois antieméticos mostrou-se extremamente eficaz em reduzir esse efeito, assim, tratamentos que antes não poderiam ser feitos por conta de causarem muito enjoo podem ser aplicados sem maiores complicações.

O ano de 2014 foi extremamente produtivo no desenvolvimento de novos medicamentos. Pelo que parece, 2015 está indo na mesma direção. O fortalecimento da parceria entre comunidade científica, sociedade, governos e indústria farmacêutica é uma estratégia promissora no aceleramento do desenvolvimento de novas medicações. Temos que continuar nessa direção!

Gostou da matéria? Visite aqui nossa página no Facebook. Não esqueça de curtir a página para saber de todas as atualizações do blog!

Oliver Sacks fala de suas reflexões ao saber que tem um câncer em fase final.

Oliver Sacks é neurologista e professor da Universidade de Nova Iorque. Publicou diversos livros divulgando a neurologia e a ciência para o grande público. Nos últimos dias, recebeu a notícia que seu câncer tinha voltado e que não lhe restavam muitos dias de vida. Ele publicou esta carta aberta onde faz uma comovente e tranquila reflexão sobre sua vida e seus planos para os dias que lhe restam. Eu poderia tecer comentários a respeito do que ele disse mas prefiro que cada um tire suas próprias conclusões, ele é realmente uma pessoa de percepções e sensibilidade únicas. Abaixo está a carta na íntegra traduzida para o português.

screen-shot-2012-09-29-at-15-11-56
Oliver Sacks, neurologista e escritor.

“Há um mês, eu sentia que estava em boas condições de saúde, robusto até. Aos 81 anos, ainda nado uma milha por dia. Mas a minha sorte acabou – há algumas semanas, descobri que tenho diversas metástases no fígado. Nove anos atrás, encontraram um tumor raro no meu olho, um melanoma ocular. Apesar da radiação e os lasers que removeram o tumor terem me deixado cego desse olho, apenas em casos raríssimos esse tipo de câncer entra em metástase. Faço parte dos 2% azarados. Sinto-me grato por ter recebido nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou cara a cara com a morte. O câncer ocupa um terço do meu fígado e, apesar de ser possível desacelerar seu avanço, esse tipo específico não pode ser destruído. Depende de mim agora escolher como levar os meses que me restam. Tenho de viver da maneira mais rica, profunda e produtiva que conseguir. Nisso, sou encorajado pelas palavras de um dos meus filósofos favoritos, David Hume, que, ao saber que estava terminalmente doente aos 65 anos, escreveu uma curta autobiografia em um único dia de abril de 1776. Ele chamou-a de “Minha Própria Vida”. “Estou agora com uma rápida deterioração. Sofro muito pouca dor com a minha doença; e, o que é mais estranho, nunca sofri um abatimento de ânimo. Possuo o mesmo ardor para o estudo, e a mesma alegre companhia de sempre.” Tive sorte de passar dos oitenta anos. E os 15 anos que me foram dados além da idade de Hume foram igualmente ricos em trabalho e amor. Nesse tempo, publiquei cinco livros e completei uma autobiografia (um pouco mais longa do que as poucas páginas de Hume) que será publicada nesta primavera; tenho diversos outros livros quase terminados. Hume continua: “Eu sou… um homem de disposição moderada, de temperamento controlado, de um humor alegre, social e aberto, afeito a relacionamentos, mas muito pouco propenso a inimizades, e de grande moderação em todas as minhas paixões”. Aqui eu me distancio de Hume. Apesar de desfrutar de relações amorosas e amizades e não ter verdadeiros inimigos, eu não posso dizer (e ninguém que me conhece diria) que sou um homem de disposições moderadas. Pelo contrário, sou um homem de disposições veementes, com entusiasmos violentos e extrema imoderação em minhas paixões. E, ainda assim, uma linha do ensaio de Hume me toca como especialmente verdadeira: “É difícil”, ele escreveu, “estar mais separado da vida do que eu estou no presente.” Nos últimos dias, consegui ver a minha vida como a partir de uma grande altitude, como um tipo de paisagem, e com uma sensação cada vez mais profunda de conexão entre todas as suas partes. Isso não quer dizer que terminei de viver. Pelo contrário, eu me sinto intensamente vivo, e quero e espero, nesse tempo que me resta, aprofundar minhas amizades, dizer adeus àqueles que amo, escrever mais, viajar se eu tiver a força, e alcançar novos níveis de entendimento e discernimento. Isso vai envolver audácia, clareza e, dizendo sinceramente: tentar passar as coisas a limpo com o mundo. Mas vai haver tempo, também, para um pouco de diversão (e até um pouco de tolice). Sinto um repentino foco e perspectiva nova. Não há tempo para nada que não seja essencial. Preciso focar em mim mesmo, no meu trabalho e nos meus amigos. Não devo mais assistir ao telejornal toda noite. Não posso mais prestar atenção à política ou discussões sobre o aquecimento global. Isso não é indiferença, mas desprendimento – eu ainda me importo profundamente com o Oriente Médio, com o aquecimento global, com a crescente desigualdade social, mas isso não é mais assunto meu; pertence ao futuro. Alegro-me quando encontro jovens talentosos – até mesmo aquele que me fez a biópsia e chegou ao diagnóstico de minha metástase. Sinto que o futuro está em boas mãos. Nos últimos dez anos mais ou menos, tenho ficado cada vez mais consciente das mortes dos meus contemporâneos. Minha geração está de saída, e sinto cada morte como uma ruptura, como se dilacerasse um pedaço de mim mesmo. Não vai haver ninguém igual a nós quando partirmos, assim como não há ninguém igual a nenhuma outra pessoa. Quando as pessoas morrem, não podem ser substituídas. Elas deixam buracos que não podem ser preenchidos, porque é o destino – o destino genético e neural – de cada ser humano ser um indivíduo único, achar seu próprio caminho, viver sua própria vida, morrer sua própria morte. Não posso fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Amei e fui amado; recebi muito e dei algo em troca; li, viajei, pensei e escrevi. Tive uma relação com o mundo, a relação especial de escritores e leitores. Acima de tudo, fui um ser senciente, um animal pensante nesse planeta maravilhoso e isso, por si só, tem sido um enorme privilégio e aventura.”

Como o Sol vê a sua pele – Veja as incríveis imagens reveladas pela câmera ultravioleta

Uma das recomendações mais feitas por dermatologistas e oncologistas é a proteção da pele contra os raios solares.

Os efeitos da radiação UV demoram anos para serem percebidos a olho nu, mas uma câmera com filtro UV é capaz de detectar essas alterações muito antes que o olho humano.

Beach-sunrise-beautiful-scenery-sunlight-rays_2560x1600

No vídeo abaixo, veja as incríveis imagens dos efeitos dos raios UV na pele, principalmente em pessoas com pele mais clara. A boa notícia, também mostrada no vídeo, é que o protetor solar oferece uma sólida e eficiente proteção contra a radiação UV.

Use protetor solar e evite os horários de maior intensidade de Sol nesse verão, entre 10h e 15h.

Boas férias e boa praia!

Ative a legenda em português no canto inferior direito do video.