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Everolimus duplica o tempo de controle do câncer de mama metastático com positividade para hormônios

Câncer de mama é uma doença bastante heterogênea, hoje nós já podemos diferenciar vários tipos de doenças de acordo com as características moleculares. Essa caracterização permitiu o desenvolvimento de vários medicamentos que agem especificamente para cada alteração molecular. Isso melhorou muito a individualização do tratamento para cada mulher, aumentando a chance de cura, o controle da doença e reduzindo os efeitos colaterais dos medicamentos.

Em aproximadamente 65% a 80% das mulheres que têm câncer de mama identifica-se a presença do receptor de estrogênio no tumor. Estes tumores são muito sensíveis aos hormônios femininos e crescem estimulados por eles. Já no século 19 os médicos, apesar de não conhecerem com muitos detalhes a biologia molecular, já faziam a retirada dos ovários de mulheres com câncer de mama metastático e observavam alguma melhora (câncer metastático quer dizer câncer espalhado para outras partes do corpo que não só de onde ele se originou).

Os avanços do tratamento do câncer de mama permitiram a individualização do tratamento, aumentando a chance de cura e o controle da doença.
Os avanços do tratamento do câncer de mama permitiram a individualização do tratamento, aumentando a chance de cura e o controle da doença.

Com o progresso da ciência, na década de 70, começamos a usar o primeiro medicamento que bloqueava os efeitos dos estrogênios na mama, conhecido como Tamoxifeno. Até hoje essa medicação está em uso sendo um dos melhores tratamentos disponíveis. Ela é tomada em comprimidos e possui um excelente efeito de combater o câncer de mama com poucos efeitos colaterais. De lá pra cá muitas outras medicações foram desenvolvidas e temos diversas opções de tratamento hormonal para o câncer de mama hormônio positivo.

Um problema do tratamento do câncer de mama hormônio positivo metastático é a resistência aos tratamentos. Após alguns meses ou anos de controle, a doença pode voltar a crescer, e neste caso pode-se tanto trocar o tratamento por outro bloqueador hormonal como pode-se usar a quimioterapia. A escolha depende de vários fatores, como os tratamentos anteriores, o local onde a doença apareceu e as preferências da mulher, entre outros.

Uma importante descoberta sobre a resistência aos tratamentos levou ao desenvolvimento do medicamento Everolimus (nome comercial Afinitor). Nas mulheres que apresentavam crescimento da doença durante o tratamento de bloqueio hormonal foi notada uma nova alteração molecular conhecida como “ativação da via do mTOR”. Isto fazia com que a hormonioterapia perdesse seu efeito. O Everolimus é um medicamento que bloqueia e anula a ação do mTOR, revertendo assim o resistência ao tratamento com bloqueadores hormonais. Um estudo foi feito combinando o Everolimus com o Exemestano (nome comercial Aromasin), em mulheres que apresentaram crescimento do câncer durante um outro tratamento hormonal. A combinação duplicou o tempo de controle da doença se comparada ao Exemestano sozinho (clique aqui para ver o estudo).

Apesar da combinação do Everolimus com o Exemestano ter mais efeitos colaterais que o Exemestano sozinho, esta é hoje uma boa opção de tratamento para mulheres com câncer de mama hormônio positivo metastático que apresentaram crescimento da doença durante um primeiro tratamento hormonal.

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Duplo bloqueio do HER2 faz desaparecer os tumores da mama em metade das mulheres com câncer de mama HER2 positivo – Trastuzumab, Pertuzumab e Lapatinibe.

Com o progresso da oncologia nós somos capazes de diferenciar subtipos de doenças que antes eram tratadas da mesma maneira, e assim desenvolver novos medicamentos mais específicos para cada caso. Um exemplo disso é o bloqueio da via do HER2 em câncer de mama.

Em mulheres que têm câncer de mama é identificada a amplificação de uma proteína chamadas HER2 (human epithelial growth factor receptor 2) em 20% dos casos. Esta alteração molecular era considerada um fator de agressividade da doença, e pior resultado de tratamentos, até o desenvolvimento de medicamentos que funcionassem especificamente neste alvo.

O duplo bloqueio do HER2 é capaz de fazer desaparecer o câncer de mama em 60% das mulheres, quando feito antes da cirurgia.
O duplo bloqueio do HER2 é capaz de fazer desaparecer o câncer de mama em 60% das mulheres, quando feito antes da cirurgia.

Em 1998 médicos e cientistas desenvolveram o anticorpo Trastuzumab (nome comercial Herceptin) que mudou radicalmente o tratamento destas mulheres. Este medicamento, administrado na veia, foi capaz de aumentar dramaticamente o controle da doença. Mais tarde, em 2005, foi demonstrado que esse remédio duplicava a taxa de cura quando era dado junto com a quimioterapia, após a retirada do tumor com cirurgia.

Nos últimos anos, dois outros anticorpos contra o mesmo alvo foram desenvolvidos, o Pertuzumab (nome comercial Perjeta) e o Trastuzumab-Emtansine, também conhecido como TDM1 (nome comercial Kadcyla). Outro medicamento atuando no mesmo alvo é o comprimido Lapatinibe (nome comercial Tykerb).

A segunda etapa de desenvolvimento destes medicamentos foi avaliar o resultado da combinação deles, o chamado duplo bloqueio, associado à quimioterapia convencional. Dois estudos foram feitos, o primeiro usando a combinação de Trastuzumab com Lapatinibe e quimioterapia (veja aqui o estudo) e um segundo estudo com Trastuzumab, Pertuzumab e quimioterapia (veja aqui este estudo). Estes remédios foram feitos antes da cirurgia, com o objetivo de reduzir o tumor da mama e facilitar a operação. Foi identificado que a combinação foi capaz de fazer desaparecer o tumor em metade das mulheres que fizeram esse tratamento, mostrando a grande efetividade desta combinação antes da cirurgia.

Mesmo que o tumor tenha desaparecido, a cirurgia continua sendo necessária. Estudos já foram feitos tentando evitar a cirurgia nestes casos, mas existe uma chance grande do tumor voltar caso ela não seja feita. De todo modo, as cirurgias feitas nos casos que o tumor desaparece são bem menores, só o local onde o tumor estava é retirado, assim os resultados estéticos são muito melhores.

Estas pacientes seguem sendo avaliadas nos estudos para verificar o resultado final do índice de cura de doença, que até agora vem sendo muito bom e promissor. Estes medicamentos já estão aprovados para uso antes da cirurgia em diversos países do mundo.

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Bevacizumab, um inibidor dos vasos sanguíneos, melhora o tratamento de mulheres com câncer de colo uterino aumentando o tempo de controle de doença.

O câncer de colo uterino é o segundo câncer mais frequente em mulheres brasileiras, ficando atrás apenas do câncer de mama. Estima-se que quase 20 mil mulheres desenvolvam câncer de colo uterino todos os anos no Brasil.

O câncer de colo uterino é causado pelo HPV, um vírus sexualmente transmissível. A infecção pelo HPV é mais grave, e mais capaz de causar o câncer de colo uterino, quando acontece na adolescência. Felizmente nos últimos anos foi desenvolvida uma vacina contra o HPV, que já esta no calendário oficial de vacinação (veja aqui uma matéria sobre a vacinação contra o HPV). Hoje todas as meninas em idades entre 9 a 13 anos devem ser vacinadas contra o HPV. Veja aqui o calendário brasileiro de vacinação (Este calendário está desatualizado quanto às idades para vacinação, já foi ampliada de 11 a 13 anos para 9 a 13 anos).

Novos tratamento aumentam o controle do câncer de colo uterino.
Novos tratamento aumentam o controle do câncer de colo uterino.

O tratamento do câncer de colo uterino varia de acordo com a extensão da doença. Quando a doença está menor, é possível sua retirada completa pela cirurgia, sendo esse o único tratamento necessário. Quando o tamanho da doença é maior, pode ser necessária a combinação de radioterapia e quimioterapia. Este também é um tratamento extremamente eficaz e capaz de curar a doença. Normalmente usamos medicamentos como a cisplatina, uma quimioterapia antiga mas muito efetiva, com o intuito de aumentar o efeito da radioterapia em tratar e cicatrizar o tumor.

Quando a doença está avançada, isto é, já saiu do útero, causando metástases em outros órgãos, não há um tratamento capaz de curá-la. O objetivo nessa situação é usar a quimioterapia com medicações aplicadas na veia, para que os remédios alcancem todas as partes do corpo e assim reduzir e controlar a doença pelo maior tempo possível.

Por muitos anos não houve avanço nessa área de tratamento, os cânceres derivados de peles (como o câncer do colo uterino, os cânceres de boca, cabeça e pescoço e os cânceres do epitélio do pulmão) são resistentes a muitos dos medicamentos antigos. No entanto novos tratamentos que atuam em outras áreas, não diretamente no tumor, têm se mostrado eficazes no tratamento de todas essas doenças, um exemplo é o Bevacizumab (nome comercial Avastin, veja o video abaixo).

Este remédio age impedindo a formação de novos vasos sanguíneos, assim menos sangue, oxigênio e nutrientes chega ao tumor. Um estudo recente demonstrou que a combinação deste medicamento com a quimioterapia aumentou o tempo de controle da doença em mulheres com câncer de colo uterino.

Este foi um avanço no tratamento do câncer do colo uterino. Com as novas classes de medicamentos estimuladores da imunidade é provável que outros medicamentos estejam disponíveis em breve para mulheres com câncer de colo uterino.

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#Nivolumab, #Pembrolizumab e #Ipilimumab – imunoterapias capazes de “dissolver” os tumores se mostram efetivas no tratamento de diversos tipos de cânceres.

No último congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2015 foram apresentados estudos em vários tipos de câncer com medicações estimuladoras do sistema imunológico. Exitem duas classes desses medicamentos, o inibidor de CTLA4, Ipilimumab (nome comercial Yervoy) ; e os inibidores de PD1, Nivolumab (nome comercial Opdivo), e Pembrolizumab (nome comercial Keytruda).

Durante a resposta imunológica normal, as células do sistema imunológico se ativam para combater o agente agressor, uma bactéria ou vírus por exemplo, se desligando após completada a tarefa. Essas medicações agem impedindo que as células se desliguem, com isso estimulando o sistema imune. Com essa ativação prolongada do sistema imunológico causada pelos medicamentos, as células têm tempo de “aprender” como combater os tumores. Os efeitos desses remédios são uma verdadeira revolução no tratamento do câncer.

Estudos apresentados no congresso evidenciaram que os medicamentos são efetivos em diversos tipos de câncer. Em particular em doenças em que não havia muitos tratamentos eficazes anteriormente, como no melanoma da pele. Até o ano de 2011 não havia muitas opções no tratamento dessa doença, hoje já temos esses três anticorpos (além de outras medicaçoes inibidoras de BRAF e MEK), tudo isso nos últimos quatro anos. A foto abaixo é de um paciente com melanoma, ela pode ser um pouco perturbadora pelo tamanho e gravidade da lesão ao diagnóstico. No entanto, é impressionante notar como a lesão desapareceu completamente após o tratamento com estimuladores do sistema imunológico. A princípio, na semana 10 parece que o câncer aumentou, mas na verdade esse era o efeito do sistema imunológico destruindo as células do tumor. Resultados como esse nunca foram vistos antes!

Diversas fases de tratamento de um melanoma de pele com uso de estimuladores da imunidade.
Diversas fases de tratamento de um melanoma de pele com uso de estimuladores da imunidade.

Hoje esses medicamentos já estão aprovados para uso na prática clínica em pessoas que tenham melanoma e para o tratamento do câncer de pulmão.

Ainda em fase mais precoce de estudo foi notado que esses medicamentos também podem ser eficazes em câncer de intestino com uma característica específica, conhecida como mismatch repair. Outros estudos avaliaram sua eficácia em câncer de mama triplo negativo e HER2 positivo. Os tumores cerebrais e tumores do rim são doenças em que também têm se mostrado efetivos, assim como em cânceres hematológicos, como linfomas. Nós estamos apenas começando a entender as possibilidades de tratamento com essa nova classe de medicamentos, que vai revolucionar a maneira como o câncer é tratado no futuro próximo.

Linfócitos, as células de defesa do corpo humano (em azul), atacam uma célula do câncer (em amarelo).
Linfócitos, as células de defesa do corpo humano (em azul), atacam uma célula do câncer (em amarelo).

E provável que a combinaçao desses medicamentos com outros que causem a morte do tumor, como a quimioterapia tradicional ou a radioterapia, exponham partes internas do tumor ao sistema imunológico e assim o ajudem a “treinar” como combater o câncer. A estimulação do sistema imunológico abre uma nova avenida de possibilidades de tratamentos do câncer.

Esta talvez seja a maior descoberta de medicamentos dos últimos 20 anos. Há muito ainda a se explorar e as possibilidades são diversas. É importante manter a parceria entre as indústrias farmacêuticas, médicos, pacientes e governos para acelerar a velocidade do seu desenvolvimento e sua incorporação nos sistemas de saúde e no tratamento diário das pessoas com câncer.

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Medicamentos naturais em oncologia. Vale a pena usar?

A internet é rica em artigos e informações sobre medicamentos naturais em oncologia. Esses tratamentos têm em comum serem derivados de plantas, animais ou fungos – e são apresentados nas mais variadas formas, como chás, folhas, sementes, entre outros. Provavelmente você já deve ter ouvido falar de babosa, graviola, boldo, cartilagem de tubarão, cogumelo do sol e muitos outros. Muitas deles são anunciadas como medicamentos para câncer porque foi “comprovado” que matam células cancerosas.

Mas matar uma célula cancerosa significa que este é um medicamento contra o câncer? Não necessariamente, entenda por quê.

Para uma substância qualquer se tornar um medicamento é necessário que se façam testes em laboratório avaliando qual o seu potencial como medicamento. Quanto maior a concentração da substância e mais tempo as células fiquem expostas, mais elas morrerão, isto pode ser provocado por diversas substâncias. Por exemplo, se nós expusermos células de câncer a altas concentrações de oxigênio, muitas células morrerão pela geração de radicais livres de oxigênio, e nós sabemos que respirar mais rápido não melhora o câncer. Da mesma forma, água sanitária é capaz de matar todas as células de câncer rapidamente, mas se injetada na veia de uma pessoa causaria sua morte.

Por outro lado, quando uma substância é capaz de matar apenas a célula do câncer sem agredir demais as outras células normais do corpo, ela tem um alto potencial de se tornar um remédio eficaz.

Muitos dos medicamentos que temos hoje são derivados de plantas e animais, como, por exemplo, os Taxanes (usados para câncer de mama, pulmão, ovário e outros), derivados da árvore Taxus, ou a Eribulina (usada em câncer de mama), substância semelhante à produzida pelas esponjas marinhas (Veja outros exemplos nas imagens abaixo). O trabalho da ciência é identificar exatamente qual a substância presente nessas plantas ou animais capaz de matar as células cancerosas. Em seguida, essa substância é isolada e purificada, dessa maneira é possível controlar a dose e minimizar a administração de outras substâncias presentes nesses vegetais ou animais que não tenham nenhum efeito.

Taxus brevifolia, planta onde foram identificados os medicamentos da classe dos Taxanes, eficazes em diversos tipos de câncer.
Taxus brevifolia, planta onde foram identificados os medicamentos da classe dos Taxanes, eficazes em diversos tipos de câncer.

O processo de identificação de uma substância até que ela se torne um medicamento é longo e caro. Dura em torno de 12 anos e os gastos ficam entre 500 milhões a um bilhão de dólares por novo medicamento. Há uma estimativa que apenas uma substância entre 25 que são identificadas em laboratório se torne um medicamento eficaz no tratamento diário de pacientes com câncer. Hoje há milhares, talvez milhões, de pessoas empenhadas no desenvolvimento de novos medicamentos; médicos, cientistas, pacientes, agências reguladoras de saúde e muitos outros.

Podophyllum hexandrum, planta de onde se extrai o etoposide, eficaz no tratamento do câncer de pulmão, testiculo dentre outros.
Podophyllum hexandrum, planta de onde se extrai o etoposide, eficaz no tratamento do câncer de pulmão, testiculo dentre outros.
Catharanthus roseus, planta de onde se extraem alcalóides da vinca, muito utilizados no tratamento de neoplasias hematológicas.
Catharanthus roseus, planta de onde se extraem alcalóides da vinca, muito utilizados no tratamento de neoplasias hematológicas.

Mas se o medicamento é natural ele não faz mal, certo? Talvez faça, temos que tomar cuidado. Lembro-me de um professor antigo da faculdade que falava que “veneno de cobra é natural, você quer tomar?”.

O fato de não haver estudos com medicamentos naturais não nos permite dizer se são seguros ou não, em particular quando são tomados com outros remédios, como a quimioterapia tradicional. Nós também não podemos garantir a dose, será que dois cogumelos de tamanho diferentes têm a mesma quantidade de substâncias? Pode haver contaminantes nesses medicamentos naturais como fungos ou bactérias tóxicas, que podem aumentar o risco de infecções em pessoas que fazem quimioterapia. Medicamentos naturais podem interferir e até anular os efeitos da quimioterapia, chá verde, por exemplo, diminui em muito o efeito do medicamento bortezomib.

A minha recomendação para pessoas que estão inclinadas a tomar medicamentos naturais é que conversem com seu médico. Que avaliem com ele os riscos e os benefícios de cada tratamento e decidam, em conjunto, se um medicamento natural é recomendado, compatível e seguro para o seu caso.

Camptotheca acuminata, de onde se extrai o irinotecan, medicamento usado no tratamento do câncer de cólon, do sistema nervoso central dentre outros.
Camptotheca acuminata, de onde se extrai o irinotecan, medicamento usado no tratamento do câncer de cólon, do sistema nervoso central dentre outros.
Halichondria okadai, esponja do mar onde foi identificado o medicamento eribulina, usado no tratamento do câncer de mama.
Halichondria okadai, esponja do mar onde foi identificado o medicamento eribulina, usado no tratamento do câncer de mama.

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Novas armas no tratamento do câncer. Confira os 7 novos medicamentos aprovados em 2014.

A partir do início dos anos 2000, a oncologia entrou numa nova fase de desenvolvimento de medicamentos. Com o aprimoramento do conhecimento da biologia molecular humana e dos tumores, foi possível identificar diversos alvos para o desenvolvimento de novos tratamentos.

Todos os anos chegam ao mercado diversos novos medicamentos, somando aos esforços de tratamento de câncer já existentes. O ano de 2014 foi particularmente produtivo, com várias novas aprovações e com a identificação de novas indicações para medicamentos “antigos”.

Novas aprovações de medicamentos contra o câncer.
Novas aprovações de medicamentos contra o câncer.

Confira abaixo a lista dos novos medicamentos que foram aprovados para uso na prática clínica no último ano.

Ramucirumab (Cyramza)

Este é um anticorpo direcionado contra o fator de crescimento vascular. Interferindo na formação de novos vasos sanguíneos menos nutrientes, chegam ao tumor, reduzindo assim seu crescimento. Outro mecanismo de ação proposto é a correção das anormalidades dos vasos sanguíneos dentro dos tumores, o que levaria a uma maior distribuição de medicamentos dentro do câncer.

O Ramucirumab foi aprovado em combinação com a quimioterapia no tratamento do câncer de estômago, esôfago e pulmão. A maior parte das indicações é em segunda linha, ou seja, caso haja falha do tratamento inicial.

Olaparib (Lynparza)

Em torno de 15% dos cânceres de ovário apresentam a mutação do gene BRCA. Essa mutação causa uma alteração na correção de erros no DNA. O Olaparib interfere nessa correção, causando assim ainda mais falhas no DNA do tumor. Essas múltiplas falhas tornam-se impossíveis de serem corrigidas, levando à morte a célula tumoral (veja aqui um post detalhado sobre este medicamento).

Nos pacientes com mutação do BRCA, o uso oral do Olaparib foi capaz de aumentar o controle da doença, mesmo após múltiplas linhas de tratamento, isto é, mesmo quando já houve falha a pelo menos outros 3 medicamentos.

Ceritinib (Zykadia)

Uma pequena fração das pessoas que tem câncer de pulmão apresenta a ativação do gene ALK. Estudos estimam que em torno de 4 a 13% dos cânceres de pulmão sejam relacionados a esta alteração, em geral mais frequente em não fumantes.

A inibição desse gene com o medicamento Crizotinib mostrou-se bastante eficaz no tratamento de pacientes que apresentam essa mutação. O Ceritinib é uma medicação aprovada em segunda linha, ou seja, como resgate caso o Crizotinib pare de funcionar ou caso haja intolerância ao mesmo.

Trametinib (Mekinist)

Melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele. Em torno de 50% dos melanomas apresentam a mutação do gene BRAF. Essa mutação é um importante estímulo na transformação das pintas normais da pele em câncer de pele, além de ser um estímulo maior na agressividade do melanoma.

O Trametinib é uma medicação capaz de reverter esse estímulo e foi aprovado para uso isoladamente ou em combinação com inibidores do BRAF em pessoas que apresentem melanoma metastático.

Pembrolizumab (Keytruda)

Um dos maiores avanços na oncologia está sendo o desenvolvimento de medicamentos que aumentem a eficácia do sistema imunológico. O Pembrolizumab é um anticorpo que age ativando o sistema imunológico e este, por sua vez, ataca o câncer (veja aqui um post sobre essa classe de medicamentos).

Esse medicamento foi aprovado para pacientes com melanoma e atualmente está em estudo em muitas outras doenças. Este é um dos campos mais promissores da oncologia e em breve essa medicação, como outras da mesma classe, estará disponível para o tratamento de diversos tipos de cânceres.

Cabozantinib (Cometriq)

O carcinoma medular é um tipo raro de tumor da tireoide. O principal tratamento para esse tipo de doença é a retirada completa da tireoide. Quando esse tratamento não é possível, ou caso o tumor retorne, é necessário fazer o tratamento sistêmico, com medicações.

O Cabozantinib é um comprimido administrado por via oral, inibindo múltiplas vias de sinalização, ou seja, impede que o tumor receba sinais externos para o crescimento.

Netupitant/Palonosetron (Akynzeo)

Um dos principais efeitos colaterais da quimioterapia é o enjoo após o tratamento, o que, no passado, exigia que os tratamentos fossem interrompidos.

Esta combinação desses dois antieméticos mostrou-se extremamente eficaz em reduzir esse efeito, assim, tratamentos que antes não poderiam ser feitos por conta de causarem muito enjoo podem ser aplicados sem maiores complicações.

O ano de 2014 foi extremamente produtivo no desenvolvimento de novos medicamentos. Pelo que parece, 2015 está indo na mesma direção. O fortalecimento da parceria entre comunidade científica, sociedade, governos e indústria farmacêutica é uma estratégia promissora no aceleramento do desenvolvimento de novas medicações. Temos que continuar nessa direção!

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Uso de medicamentos “off-label” em oncologia. O que é e para que serve?

Para que um medicamento seja aprovado para o uso em humanos são necessários estudos que comprovem que são seguros e eficazes no tratamento de uma doença específica. Após essas comprovações, a autoridade de saúde de cada país avalia os dados dos estudos e então decide por aprovar ou não sua comercialização. Nos Estados Unidos essa avaliação é feita pelo FDA, na Europa pelo EMA e no Brasil pela ANVISA.

Quando o medicamento é aprovado, é obrigatório que na bula esteja descriminada a indicação para o seu uso. Por exemplo, se o medicamento foi testado em pacientes com câncer de mama, na bula deve constar que a recomendação é apenas para pacientes com câncer de mama com as características semelhantes às do estudo.

O que acontece atualmente é que a ciência progride mais rápido que a burocracia, entre os resultados dos estudos até a aprovação pelas autoridades de saúde há um intervalo de tempo considerável, às vezes superiores a um ano.

Quando o medicamento ainda não recebeu sua primeira aprovação para uso no dia a dia, não há como encontrá-lo nas farmácias, logo não há como adquiri-lo. No entanto, eventualmente o medicamento já está disponível para outra indicação, por exemplo, um medicamento que já foi aprovado para pacientes com câncer de mama e foi agora testado para câncer de estômago. Nesse caso, os médicos podem prescrevê-lo “off-label” para câncer de estômago. Nós já temos o medicamento disponível (porque foi previamente aprovado em câncer de mama) e temos também a comprovação de sua eficácia em câncer de estômago após a publicação dos resultados de estudos nesses pacientes. Os médicos então antecipam o uso do medicamento, sem esperar a aprovação da autoridade de saúde.

Off-Label-Medication
Uso de medicações “off-label” em oncologia.

Uma outra maneira de utilizar um medicamento “off-label” é um novo conceito baseado em biologia molecular. Muitas das medicações modernas agem em mutações ou outras características específicas do câncer. Embora com menos garantia que o medicamento funcione, essa abordagem também é possível em casos reservados, nos quais não há mais opções de tratamento aprovadas. Por exemplo, sabe-se o medicamento crizotinibe é extremamente eficaz em pacientes com câncer de pulmão com a mutação do ALK. Para um paciente com outro tipo de câncer, como de bexiga, por exemplo, que já utilizou todas as opções de tratamento aprovados e que tenha a mutação do ALK, pode ser interessante o uso desse medicamento. A contrapartida é que não se pode garantir que a medicação vá funcionar tão bem como em câncer de pulmão, visto que não há estudos em câncer de bexiga.

Um dos desafios da oncologia moderna é acelerar a aprovação dos medicamentos através das parcerias entre as autoridades de saúde, indústrias farmacêuticas e pesquisadores. Há também a necessidade de adaptar as pesquisas para identificar e validar os alvos dos novos medicamentos independentemente do tipo da doença, uma nova maneira de entender a doença e os pacientes.

Essas duas iniciativas, embora em estágio inicial, já começam a se delinear em futuro próximo. Temos que trabalhar para inserir o Brasil nesta nova era da oncologia e da medicina de precisão, acelerando a velocidade para que os pacientes tenham acesso aos novos medicamentos.

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