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Laser de Hélio-Neon na prevenção e tratamento da mucosite causada por quimio e radioterapia. Uma contribução importante dos dentistas no combate ao câncer.

Uma das características mais marcantes da célula do câncer é sua alta replicação. Estas células são capazes de se multiplicar mais rápido que as demais células normais do corpo, e assim formam os tumores.

A quimioterapia tradicional, conhecida também como quimioterapia citotóxica, age justamente atacando as células que se multiplicam mais rapidamente. Assim esses tratamentos são capazes de matar as células cancerosas, aumentando a chance de cura e o controle do câncer. Veja aqui uma matéria sobre a quimioterapia, veja aqui uma matéria sobre os tipos de quimioterapia e aqui sobre as informações necessárias para se iniciar um tratamento com segurança.

No entanto esses medicamentos têm efeitos colaterais em células normais do corpo que também se multiplicam rápido, como os cabelos e o sistema imunológico. É comum observarmos, com alguns tipos de medicamentos, a queda dos cabelos e a redução temporária da imunidade, no exame de sangue.

Um efeito colateral observado em alguns tipos de tratamento é a mucosite, uma espécie de inflamação nas peles que recobrem a boca. Isto também ocorre porque a células da pele da boca se multiplica numa velocidade um pouco mais rápida. Por vezes há apenas algumas aftas, mas em casos piores acontecer dor importante, dificultando a alimentação, causando desconforto e atrapalhando o tratamento do câncer. A mucosite tende a ser pior quando se faz radioterapia da região da boca ao mesmo tempo, como no caso dos tumores da cabeça e pescoço.

Laser de Hélio-Neon são usados na prevenção e tratamento da mucosite causada por quimio e radioterapia.
Laser de Hélio-Neon são usados na prevenção e tratamento da mucosite causada por quimio e radioterapia.

Felizmente é possível prever os tipos de tratamento que causam mucosite e prevenir seu aparecimento. A dentista Simone Levy dá algumas dicas sobre como os dentistas podem ajudar no tratamento da mucosite.

“Todas as pessoas que forem fazer tratamentos com quimioterapia ou radioterapia, capazes de causar mucosite, devem ser avaliadas por um dentista, especificamente do estomatologista, o dentista especialista em doenças bucais. A avaliação deve ser feita antes, durante e depois do tratamento. Caso hajam cáries a serem tratadas, elas devem ser feitas antes do começo da quimioterapia.

A manutenção da saúde bucal é de extrema importância pois a mucosite pode interferir no estado nutricional e na qualidade de vida destas pessoas. O uso de medicamentos antifúngicos, como a nistatina, pode diminuir a chance de aparecimento das aftas e a terapia com laser de Hélio-Neon de baixa intensidade diminui a duração dos sintomas, ajudando na cicatrização.”

Veja aqui mais dicas na página da Dra. Simone Levy.

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Bevacizumab, um inibidor dos vasos sanguíneos, melhora o tratamento de mulheres com câncer de colo uterino aumentando o tempo de controle de doença.

O câncer de colo uterino é o segundo câncer mais frequente em mulheres brasileiras, ficando atrás apenas do câncer de mama. Estima-se que quase 20 mil mulheres desenvolvam câncer de colo uterino todos os anos no Brasil.

O câncer de colo uterino é causado pelo HPV, um vírus sexualmente transmissível. A infecção pelo HPV é mais grave, e mais capaz de causar o câncer de colo uterino, quando acontece na adolescência. Felizmente nos últimos anos foi desenvolvida uma vacina contra o HPV, que já esta no calendário oficial de vacinação (veja aqui uma matéria sobre a vacinação contra o HPV). Hoje todas as meninas em idades entre 9 a 13 anos devem ser vacinadas contra o HPV. Veja aqui o calendário brasileiro de vacinação (Este calendário está desatualizado quanto às idades para vacinação, já foi ampliada de 11 a 13 anos para 9 a 13 anos).

Novos tratamento aumentam o controle do câncer de colo uterino.
Novos tratamento aumentam o controle do câncer de colo uterino.

O tratamento do câncer de colo uterino varia de acordo com a extensão da doença. Quando a doença está menor, é possível sua retirada completa pela cirurgia, sendo esse o único tratamento necessário. Quando o tamanho da doença é maior, pode ser necessária a combinação de radioterapia e quimioterapia. Este também é um tratamento extremamente eficaz e capaz de curar a doença. Normalmente usamos medicamentos como a cisplatina, uma quimioterapia antiga mas muito efetiva, com o intuito de aumentar o efeito da radioterapia em tratar e cicatrizar o tumor.

Quando a doença está avançada, isto é, já saiu do útero, causando metástases em outros órgãos, não há um tratamento capaz de curá-la. O objetivo nessa situação é usar a quimioterapia com medicações aplicadas na veia, para que os remédios alcancem todas as partes do corpo e assim reduzir e controlar a doença pelo maior tempo possível.

Por muitos anos não houve avanço nessa área de tratamento, os cânceres derivados de peles (como o câncer do colo uterino, os cânceres de boca, cabeça e pescoço e os cânceres do epitélio do pulmão) são resistentes a muitos dos medicamentos antigos. No entanto novos tratamentos que atuam em outras áreas, não diretamente no tumor, têm se mostrado eficazes no tratamento de todas essas doenças, um exemplo é o Bevacizumab (nome comercial Avastin, veja o video abaixo).

Este remédio age impedindo a formação de novos vasos sanguíneos, assim menos sangue, oxigênio e nutrientes chega ao tumor. Um estudo recente demonstrou que a combinação deste medicamento com a quimioterapia aumentou o tempo de controle da doença em mulheres com câncer de colo uterino.

Este foi um avanço no tratamento do câncer do colo uterino. Com as novas classes de medicamentos estimuladores da imunidade é provável que outros medicamentos estejam disponíveis em breve para mulheres com câncer de colo uterino.

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Câncer e gestação. É possível engravidar depois de um tratamento oncológico?

Câncer é uma doença que afeta principalmente pessoas mais velhas, porém não é exclusiva dessa faixa etária. Existem doenças que também afetam pessoas mais jovens, em idade fértil. Uma dúvida comum em mulheres jovens que são diagnosticadas com câncer é: “Será que eu vou conseguir engravidar depois do meu tratamento?”. Para responder essa pergunta é preciso saber qual o tipo do tratamento e a partir daí traçar um plano para preservar a fertilidade.

Câncer e gestação. Há diversas estratégias para preservar a fertilidade de mulheres jovens tratadas para câncer.
Câncer e gestação. Há diversas estratégias para preservar a fertilidade de mulheres jovens após um tratamento oncológico.

Tanto a cirurgia quanto a radioterapia e a quimioterapia são capazes de reduzir a fertilidade. Os ovários são muito sensíveis à quimioterapia. Dependendo do tipo e da dose dos medicamentos, os óvulos podem ser afetados, e assim a mulher pode entrar na menopausa precocemente. Esta é uma preocupação no tratamento de doenças como os linfomas, câncer de ovário e câncer de mama, por exemplo. Em outras doenças, como o câncer de colo uterino ou câncer de reto, pode ser necessário o uso da radioterapia da pelve. A radiação, quando atinge os ovários, pode também levar à morte os óvulos e induzir a menopausa precoce. Em cânceres do aparelho reprodutor, pode ser necessária a retirada cirúrgica do tumor em conjunto com os ovários ou o útero.

Então, o que deve ser feito para preservar a fertilidade e aumentar a chance de engravidar depois de um tratamento para câncer?

Existem algumas estratégias que podem ser usadas, mas a primeira coisa a ser feita é conversar sobre o assunto antes que qualquer tratamento seja feito.

Em casos muito selecionados de câncer de ovário pode ser pensada uma cirurgia parcial com o intuito de preservar a fertilidade. Mas isto não é a regra, em geral nesses casos não há como se preservar os órgãos reprodutores.

Quando se precisa usar radioterapia é possível fazer uma espécie de escudo de chumbo que é colocado sobre a pele no local correspondente ao útero e ovários. Dessa maneira, os raios não atingem diretamente os óvulos. Uma segunda possibilidade é realizar uma pequena cirurgia para o reposicionamento dos ovários fora da área que vai receber a radioterapia. No entanto, em casos de câncer de colo uterino, onde é absolutamente necessária a irradiação, pode haver uma maior dificuldade de engravidar, assim como problemas durante a gestação, como parto prematuro e abortamento.

No caso da quimioterapia, duas estratégias podem ser feitas. A mais eficaz é a coleta e congelação de óvulos ou embriões antes do tratamento. Nesse caso, o tratamento com quimioterapia é adiado em torno de duas semanas e é induzida a ovulação com medicamentos. Os óvulos são então colhidos cirurgicamente e podem ser fecundados e congelados (nesse caso, chamam-se embriões), ou podem ser congelados sem serem fecundados. No futuro, quando o tratamento do câncer termina, a mulher deve fazer o tratamento habitual para engravidar desses embriões previamente colhidos.

Uma segunda estratégia é usar medicamentos que param o ciclo ovariano temporariamente. A ideia por trás disso é tentar fazer com que os ovários “durmam” durante o tratamento com quimioterapia, não sendo assim tão afetados. No entanto, esse não é um tratamento tão eficaz quanto a coleta de óvulos. Quanto mais jovem a mulher, menor o risco de entrar na menopausa depois da quimioterapia; da mesma maneira, quanto mais leve o tratamento, menos chance tem de induzir a menopausa.

E depois de engravidar, o risco da criança nascer com algum problema é maior?

Não! Isto já foi extensamente pesquisado e tratamentos prévios com radio e quimioterapia, tanto do pai quanto da mãe, não aumentam o risco da criança nascer com problemas. Quimioterapia também não aumenta o risco de aborto ou parto prematuro.

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As 4 informações que todo paciente deve saber antes de começar o tratamento para o câncer.

Uma das etapas que gera mais angústia nas pessoas que estão em tratamento para o câncer é a quimioterapia. A quimioterapia, em geral, é associada à imagem de sofrimento de um paciente em um leito hospitalar, cansado e sem cabelos. Isso é longe de ser a realidade dos tratamentos para câncer, que evoluíram muito desde seu advento em meados do século XX. Hoje, novos quimioterápicos e medicações de suporte fazem do tratamento oncológico muito mais eficaz e facilmente manejável que no passado. O tratamento atualmente é feito quase que exclusivamente em regime ambulatorial, o paciente só vem ao hospital para consultas e administração das medicações, voltando para casa no mesmo dia.

O principal fator para se passar por um tratamento oncológico é conversar sobre os detalhes do tratamento com o oncologista. É importante saber: (1) o tipo de quimioterapia, a via de administração e medicações de suporte, (2) o tempo e o intervalo de tratamento, (3) os exames de controle a serem feitos durante a quimioterapia e (4) os sinais e sintomas dos efeitos colaterais e o que fazer com eles.

  1. Tipos de quimioterapia e administração

Como eu discuti num post anterior, existem diversos tipos de quimioterapia que podem ser administrados tanto na veia quanto por via oral.

Os quimioterápicos feitos na veia são normalmente administrados em esquema de hospital-dia. Após a consulta com o oncologista, o paciente é encaminhado para um setor onde a quimioterapia é feita por enfermeiras com especialidade em oncologia. Os quimioterápicos são administrados de alguns minutos a algumas horas, sendo o tempo de administração variável e dependente do tipo de quimioterapia.

Antes da administração da quimioterapia são feitas medicações para evitar enjoo e reações alérgicas. Normalmente, não há nenhum efeito colateral durante a administração da quimioterapia.

Terminada a infusão, o paciente vai para casa tomando medicações para controlar o enjoo por mais alguns dias.

No caso de quimioterapia oral, ela é tomada em casa, em comprimidos, como qualquer outra medicação.

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  1. Tempo e intervalo de tratamento

Cada administração de quimioterapia é chamada de “ciclo”. Dependendo da doença e do esquema de tratamento, calcula-se o número de ciclos de quimioterapia necessários. Os ciclos acontecem em intervalos regulares, dependendo do esquema de tratamento e dos efeitos colaterais, podendo ser semanais, a cada duas ou três semanas, ou em outros intervalos.

  1. Exames de controle durante a quimioterapia

É comum, antes de um ciclo de quimioterapia, seja ele oral ou na veia, que os pacientes sejam consultados pelo oncologista, que avalia a tolerabilidade e a necessidade ou não de modificações. O oncologista nessa ocasião também vai avaliar o exame de sangue para verificar a imunidade e a contagem de plaquetas, que pode ser diminuída pela quimioterapia. Estando tudo correto, o paciente é liberado para o ciclo seguinte de tratamento.

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  1. Efeitos colaterais e o que fazer com eles

Diferentes quimioterapias têm diferentes efeitos colaterais. Antes de começar o tratamento, o oncologista vai discutir todos os possíveis efeitos colaterais. Para alguns dos efeitos não existe tratamento, como a perda de cabelo ou alterações nas unhas. Esses efeitos só terminam com o final da quimioterapia, quando os cabelos voltam a crescer e as alterações de unhas e pele vão progressivamente desaparecendo. Outros efeitos colaterais menos graves podem ser tratados em casa, como cansaço, enjoo ou aftas na boca. Outros mais graves, como febre durante a quimioterapia, diarreia grave e vômitos persistentes são mais raros, acontecem eventualmente e devem ser tratados no hospital. É importante sempre estar informado e ter o contato do médico ou do hospital onde se faz o tratamento para que se possa receber orientações em caso de complicações.

Estar bem informado e ter a quem recorrer em caso de dúvida ou complicações da quimioterapia são fatores fundamentais para o sucesso do tratamento contra o câncer.

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Progressos no tratamento do câncer de mama – Hoje o risco de recidiva é metade do que era na década de 80

Num artigo publicado na edição desta semana do Journal of Clinical Oncology, um dos mais respeitados periódicos científicos em oncologia clínica, investigadores do Canadá analisaram os resultados do tratamento de câncer de mama nesse país em dois períodos distintos.

http://jco.ascopubs.org/content/33/1/65.abstract

Usando o banco de dados do registro de câncer canadense, os investigadores compararam os índices de recidiva de câncer de mama em pacientes tratadas entre 1986 e 1992 e entre 2004 e 2008. No total, os dados de mais de 7 mil pacientes foram avaliados.

Ambos os grupos estudados apresentavam o mesmo risco de recidiva ao diagnóstico. Isto é, idade semelhante, tipo de câncer de mama e estadiamento (a quantidade de doença) equivalentes. A única diferença significativa entre os grupos foi o tipo de tratamento, uma vez que há muito mais recursos médicos agora do que havia na década de 1980.

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Os investigadores identificaram uma redução de risco de 50% entre as pacientes tratadas após os anos 2000 em relação às pacientes tratadas na década de 1980. Isto foi mais evidente entre as pacientes que apresentavam a proteína HER2 amplificada, cujo tratamento melhorou dramaticamente após a introdução de anticorpos a partir do fim da década de 1990. Muito mais pacientes ficam curadas hoje do que há 30 anos.

Este é mais um dado animador que mostra que a ciência caminha na direção certa. A descoberta de novos medicamentos entrou numa fase promissora com a individualização dos tratamentos contra o câncer, e este é mais um estudo que corrobora essa informação.

A história de uma vitória no tratamento do câncer em nove imagens

Janna Zachary foi diagnosticada com Linfoma de Hodgkin aos 27 anos. Depois de seis sessões de quimioterapia e consolidação do tratamento com radioterapia, ela estava curada da doença.

Em dezembro de 2013, ela começou a tirar selfies para documentar o crescimento de seus cabelos. Suas fotos causaram grande repercussão nas redes sociais e foram motivo de inspiração para várias pacientes com câncer em tratamento.

Suas fotos contam uma história vitoriosa da medicina moderna e mais, de superação pessoal.

xtX41UxClique aqui para ir para a página de Janna Zachary.

“Só acaba quando acaba, até lá a gente vai tocando.”

Eu sou carioca, nasci e cresci no Rio de Janeiro, fiz toda a minha formação médica no Rio também, faculdade e duas residências. Depois passei uns anos na Europa fazendo pesquisa e cá estou de volta ao Brasil. Esse ano, um tempo depois de chegar, recebi um convite para trabalhar no Hospital Albert Einstein e me mudei esta semana para São Paulo.

Como todo começo, é um pouco lento. Estou conhecendo aos poucos a estrutura e funcionamento dos serviços médicos, vou a algumas sessões clínicas e atendo a alguns pacientes.

Esta semana, um caso me chamou a atenção numa sessão clínica: uma senhora, em torno de 50 anos, com um câncer agressivo, mas que apresentou resposta brilhante ao tratamento proposto. Após alguns anos, a doença regressou e novamente o tratamento com um novo esquema de quimioterapia teve um resultado excelente. Agora, a doença começa a voltar pela segunda vez, desta vez mais agressiva e espalhada por diversos órgãos, nas sessões clínicas discutia-se a conduta a ser tomada.

Hoje pela manhã fui atender a essa paciente no setor de quimioterapia, era o dia do primeiro ciclo do novo tratamento. Fui conhecer a pessoa que eu conhecia apenas por ressonâncias, tomografias e PET-CTs. Uma senhora muito tranquila e simpática, completamente ciente da gravidade da sua doença e das possibilidades do tratamento. Conversamos um pouco sobre as condutas médicas e exames a serem feitos.

Passados esses 10 minutos de informações técnicas, começamos a falar sobre a vida, minhas impressões sobre São Paulo, o tempo que eu passei estudando na Europa e as impressões dela da Europa, e, claro, sobre a comida do hospital. Ficamos mais tempo batendo papo do que num atendimento médico formal.

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Nós dois sabemos que a doença é muito grave e a resposta a esse tratamento, mesmo que bem escolhido e administrado no momento certo, pode não ser tão brilhante como nos dois tratamentos anteriores. Independente disso, a vida continua, as conversas são as mesmas e, enquanto a gente está por aqui, a gente vai tocando a vida. Acho que a consulta foi uma metáfora disso, um pequeno e necessário tempo para as medicinidades e o resto para bater papo.

Uma meia hora depois acabou a infusão e eu me despedi.

“Até semana que vem!”

“Semana que vem é o meu descanso, eu vou viajar, só volto na outra.”

“Até a outra, então!”